Pessoa do dia ® #8
(último desta série)
I
O INFANTE
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a Terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgiu, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou, criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
in Mensagem,
Segunda Parte - Mar Português
de Fernando Pessoa

1 comentário:
"Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro..."
(Fernando Pessoa)
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